As pessoas que cresceram entre 1960 e 1970 desenvolveram um tipo de resiliência que hoje passa despercebida: é o que afirma a psicologia
Publicado em 27 de junho de 2026 às 05:59
As crianças de hoje enfrentam um mundo de proteção sem precedentes, mas será que isso as prepara para os desafios da vida? Especialistas apontam que a infância diferente de quem cresceu nos anos 60 e 70 criou uma resiliência única
As pessoas que cresceram entre 1960 e 1970 desenvolveram um tipo de resiliência que hoje passa despercebida, segundo a psicologia As crianças que cresceram entre os anos 60 e 70 aprenderam, desde cedo, a lidar com as próprias frustrações e resolver os problemas sozinhos Na época, a educação era mais rígida, com foco em disciplina, responsabilidade e obediência, além de limites bem estabelecidos entre adultos e crianças Hoje, porém, os pais estão mais flexíveis quanto aos cuidados com os filhos e a presença constante no dia a dia Segundo a psicologia, os pais de hoje têm uma tentativa constante de reduzir riscos e desconfortos dos filhos

A forma como crianças são criadas mudou bastante nas últimas décadas. Hoje, menor rigor e mais compreensão tem sido cada vez mais comuns nos lares, e isso tem impactado a maneira como diferentes gerações lidam com frustração, autonomia e dificuldades do dia a dia

Muitos especialistas apontam que, nos últimos anos, a parentalidade ficou mais protetiva e focada no bem-estar, com maior presença dos adultos em situações que antes eram resolvidas pelas próprias crianças. Ao mesmo tempo, esse movimento levanta debates sobre possíveis efeitos na capacidade de lidar com limites e frustrações.

Por outro lado, quem cresceu entre as décadas de 1960 e 1970 viveu um contexto bem diferente. A educação era mais rígida, com foco em disciplina, responsabilidade e obediência, além de limites bem estabelecidos entre adultos e crianças. O cuidado emocional existia de forma diferente do que se entende hoje, e muitas vezes não era dos melhores.

Uma infância com mais autonomia e menos supervisão

De acordo com análises na área da psicologia do desenvolvimento, crianças criadas nesse período tiveram mais espaço para lidar sozinhas com situações do cotidiano. Era comum brincar na rua sem supervisão, resolver conflitos com colegas sem intervenção de adultos e assumir pequenas responsabilidades desde cedo.

Esse contexto, segundo especialistas, favoreceu o desenvolvimento de habilidades como tomada de decisão, autorregulação emocional e tolerância à frustração. Na prática, isso significa que essas pessoas aprenderam a lidar com problemas sem depender sempre dos pais ou outras pessoas, onde cada um enfrenta suas próprias emoções.

Um conceito citado por especialistas e o de "inoculação do estresse", que defende a ideia de que a exposição a dificuldades constantes pode fortalecer a capacidade de adaptação ao longo da vida.

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O contraste com a infância atual

Hoje, a parentalidade é marcada por uma presença maior dos adultos na rotina das crianças e por uma tentativa constante de reduzir riscos e desconfortos dos filhos. Essa mudança é vista por muitos como positiva no sentido de cuidado e proteção, mas também levanta questionamentos no campo da psicologia sobre o desenvolvimento emocional.

Alguns especialistas apontam que a menor exposição a frustrações pode impactar habilidades importantes, como aceitar limites, lidar com o "não" e desenvolver autonomia para resolver problemas sem intervenção. Em ambientes escolares, por exemplo, educadores relatam com frequência dificuldades maiores em lidar com regras e frustrações simples do cotidiano.

Isso não significa que uma geração seja "melhor" que outra, mas sim que os contextos são diferentes e produzem respostas emocionais distintas ao longo da vida.

Pessoas que cresceram nos anos 60 e 70 construíram a resiliência na prática

Dentro dessa leitura, a resiliência das pessoas que cresceram entre os anos 60 e 70 é o resultado de um ambiente em que a autonomia era mais exigida do que ensinada. Resolver problemas sozinho, aceitar consequências e lidar com frustrações fazia parte da rotina, não de um treinamento específico.

Ao mesmo tempo, especialistas também destacam que esse modelo não era isento de limitações. A mesma rigidez que contribuiu para o fortalecimento da autonomia também pode ter dificultado o desenvolvimento de habilidades emocionais, como falar sobre sentimentos ou pedir ajuda com naturalidade.

A psicologia contemporânea tende a não defender nenhum dos extremos. Nem uma educação baseada apenas em proteção constante, nem um modelo excessivamente rígido. O ponto central está no equilíbrio entre os limites e espaços para autonomia, permitindo que crianças desenvolvam tanto segurança emocional quanto capacidade de enfrentar dificuldades.

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Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
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